O conforto térmico é, resumidamente, a sensação psicológica e mental que uma pessoa sente no ambiente em que ela está. Nas edificações, tanto residenciais quanto comerciais, é importante observar o fator de conforto dos ambientes para os usuários.
No Brasil, existem regras e normatizações voltadas para o desempenho térmico, para auxílio na especificação de materiais e das edificações, sendo as principais normas a ABNT NBR 15220 (2024) – Desempenho Térmico de Edificações – e ABNT 15575-1 (2013) – Edificações habitacionais – Desempenho – Parte 1: Requisitos gerais.
Com o atendimento das normas e análise dos bioclimas, é possível otimizar o conforto térmico e a redução do consumo de energia para aquecimento ou resfriamento do ambiente.
O sistema construtivo Light Steel Frame (LSF), que é composto basicamente por estruturas em aço leve galvanizado, revestidas por chapas cimentícias, é uma opção técnica em amplo crescimento no Brasil e que atende as necessidades de otimização da construção civil, pois possui como diferenciais a baixa carga estrutural, menor tempo de execução da obra, grande desempenho térmico e acústico, entre outros.
Além da observação de normas e recomendações, a escolha dos materiais e métodos construtivos são importantes para obter uma máxima eficiência térmica da edificação. O Light Steel Frame vem sendo utilizado devido a seu desempenho térmico e variedade de métodos de fachadas como o DEFS (Direct Applied-Exterior Finish System) e EIFS (Exterior Insulation Finish System), se adequando muito bem às diversas regiões do Brasil.
Por ainda ser um método construtivo inovador e com constantes atualizações de materiais e tecnologias, se não estudado, especificado e executado de forma correta é passível de ocorrerem falhas de especificação e montagem, ocasionando manifestações patológicas. Na questão térmica, o uso incorreto ou ausência de materiais ideais que não atendam as necessidades bioclimáticas contribuem para tal situação.
Por isso, é importante entendermos as zonas bioclimáticas brasileiras para aplicação das estratégias bioclimáticas e otimização do Light Steel Frame através da escolha correta dos materiais. Com o estudo e especificação corretos, é possível a obtenção da máxima eficiência térmica do sistema construtivo em Light Steel Frame.
Atualização das normas
Até 2023, a ABNT NBR 15220 apresentava a divisão do Brasil em 8 zonas bioclimáticas agrupadas por características como ventilação, temperatura média, umidade relativa, amplitude térmica e estratégias climáticas.
A partir de 2024 a norma foi atualizada. Hoje temos 16 zonas climáticas no Brasil, com dados mais precisos de análise, baseados em atualizações meteorológicas fornecidas por institutos e pesquisadores do setor. Com isso, aumentaram as informações, métodos de especificação e critérios de análise.

Devido ao aumento das zonas e dos dados climáticos, atualmente é possível ter uma maior assertividade e precisão durante o dimensionamento dos elementos construtivos. Ainda no meio técnico-científico, existem algumas divergências em dados específicos, como os comportamentos diferentes entre sistemas como a alvenaria e o Light Steel Frame. Por isso, durante o projeto e especificação dos sistemas, é importante entender a região e o clima local para evitar manifestações patológicas e/ou perda de eficiência do sistema construtivo.
Requisitos a serem analisados
Cada região do país possui suas particularidades de clima e quando o projeto está em fase de análise e especificação, é importante um estudo mais aprofundado para se obter o máximo de eficiência e também custo-benefício.
Além da análise em softwares específicos que informam com maior precisão diversos dados e itens, deve-se realizar um estudo com análises qualitativas do ambiente onde será executada a edificação.
- Região com mata ou próxima a rios e lagos: são regiões que apresentam maior concentração de umidade, sendo necessário cuidados com a impermeabilização e gerenciamento de umidade para a condensação, influenciando no cálculo de inércia e atraso térmico, podendo também ocorrer variações de temperatura elevadas durante o dia (manhã mais fria e tarde mais quente e úmida).
- Posição das fachadas: as fachadas ao Norte, por exemplo, recebem ação solar durante o ano todo, podendo ter um aquecimento maior. Fachadas a Oeste normalmente recebem o sol da tarde, sendo um local mais propenso a apresentar superaquecimento e fissuração térmica. As fachadas da face Sul, por ter menor contato com a luz solar, apresentam maior risco de mofo e acúmulo de umidade. A face Leste, por receber a luz solar da manhã, porém como menor intensidade que as fachadas a Oeste, torna-se o local menos problemático se comparado aos demais
- Regiões com muito sombreamento (centros urbanos): locais com pouca ação solar necessitam de maior cuidado com os quesitos de inércia térmica e atraso térmico, assim como, a exemplo das áreas de mata, cuidado com o gerenciamento da umidade, por apresentarem maiores riscos de ocorrências de mofo, bolor e condensação elevada.
- Áreas com alta incidência solar: maiores chances de surgirem fissuras de origem térmica, aumento da temperatura interna do ambiente causando maior desconforto, além da ocorrência de maior choque térmico (manhã fria e tarde quente), resultando maior envelhecimento acelerado dos materiais.
A arquitetura bioclimática deve estar em sinergia com a engenharia, obtendo-se assim, uma melhor forma de especificação e solução para cada edificação.
Principais manifestações patológicas de origem térmica
O Light Steel Frame, apesar de ser um sistema tecnologicamente avançado se comparados aos métodos tradicionais da construção civil, pode também apresentar anomalias (patologias) quando não o bioclima da região não é levado em consideração no estudo do projeto e não são aplicados os materiais corretos. Dentre as diversas patologias que podem ocorrer, podemos citar algumas como:
- Pontes térmicas: normalmente ocorrem quando há falhas no isolamento da fachada, sendo mais comum em fachadas com alta incidência solar, causando desconforto térmico e consequentemente maior consumo de energia para resfriamento.

- Efeito ‘Ghost’ ou ‘Tracking’: ocorrência que causa marcações dos perfis de Light Steel Frame nas fachadas, normalmente causado por fatores como alta variação térmica entre ambientes, condensação, ausência ou pouca permeância dos materiais ao vapor ou pouca ventilação no ambiente.

- Fissuras e trincas: causado por dilatação excessiva, associado também à locais com alta exposição solar e maior choque térmico.

- Mofo e bolor: causado por ausência de ventilação e acúmulo de umidade, sendo mais propenso em regiões com maior umidade e pouca ação solar.

Estratégias para Fachadas Light Steel Frame
Com a evolução dos sistemas construtivos a seco e dos materiais utilizados nesse tipo de obra, hoje é possível se obter uma maior eficiência térmica e energética nas edificações. É importante sempre o setor de projetos e especificação estar em contato com as indústrias para a busca das soluções ideais para cada projeto.
Alguns materiais, tipologias e estratégias podem ser observadas para maior desempenho, tais como:
- Membrana hidrófuga: material essencial em todas as fachadas em Light Steel Frame. A membrana hidrófuga permite que a água em estado de vapor passe para a área externa da parede e evita que a água em estado líquido possa se infiltrar no interiro da parede. A não utilização da membrana, favorece a ocorrência de infiltrações que podem gerar a corrosão nos perfis metálicos, efeito ‘Ghost’ e mofo.

- Sistema EIFS (Exterior Insulation Finish System): tipologia de fachada que consiste na aplicação de material isolante térmico (como XPS ou EPS) contínuo em um substrato, que pode ser chapa cimentícia, chapa de madeira ou chapa de gesso tipo glass mat. Com esse isolamento, evitam-se patologias como pontes térmicas, condensação e surgimento do efeito ‘Ghost’. Em regiões onde é necessário maior isolamento e inércia térmica seu uso é altamente recomendado.

- Tonalidade da pintura: cores escuras possuem maior absortância térmica, ou seja, acumulam maior calor e consequentemente podem influenciar na dilatação dos materiais aplicados. Em fachadas com ação solar elevada é recomendado uso de pinturas em tonalidade mais clara.
- Pintura com permeância ao vapor: assim como mencionado na membrana hidrófuga, caso o vapor de água encontre barreiras que dificultem sua passagem, essa umidade pode acumular na fachada causando situações como o efeito ‘Ghost’, empolamento e destacamento de pintura, eflorescência e manchas. Tintas minerais possuem alta permeância ao vapor. As tintas acrílicas também, porém, menor que as tintas minerais. Ainda assim, também são indicadas para fachadas.
A preocupação com o desempenho térmico das fachadas em Light Steel Frame no Brasil ainda é recente, porém deve ser levado sempre em consideração durante as fases de projeto. A análise bioclimática também deve muito ser observada para se obter maior eficiência térmica e energética. A arquitetura bioclimática e engenharia devem estar sempre em contato com a indústria visando se obter a melhor solução e resultado para as edificações em geral.
Por
Eng. Luan Banruque – Departamento Técnico DECORLIT
CREA PR- 222621/D